1 - vs 22-25: Jesus acalma a tempestade.
2 - vs 26-39: a cura do endemoninhado geraseno.
3 - vs 40-42 e 49-56: a cura (ressurreição?) da filha de Jairo.
4 - No interior deste terceiro relato, ainda um outro: a cura da hemorroíssa (vs. 43-48).
Com efeito, em cada um destes relatos encontramos os critérios distintivos de uma micro-unidade: tempo, espaço, personagens, tema e género-literário. Vejamos, por exemplo, o micro-relato de vs 22-25: o espaço é o lago, ambiente próprio das grandes extensões de água e os fenómenos naturais que normalmente aí se desenrolam; o tempo é o da travessia; os personagens são Jesus e os seus discípulos; o tema é o poder de Jesus, aqui exemplificado no domínio da tempestade.
Na cura do endemoninhado é outro o espaço e outro o tempo. Mantem-se o género literário. As personagens não são as mesmas pois que outra surge e é aqui importante: o geraseno. O tema persiste: o poder de Jesus, mas agora exemplificado na expulsão dos demónios. Presente, portanto, a maioria dos critérios distintivos.
O que venho dizendo torno-o extensível, mutatis mutandis, aos micro-relatos de vs. 40-56.
II - Sequência narrativa:
Do princípio ao fim, sempre a figura tutelar de Jesus, o exercício dos seus poderes, os seus habituais acompanhantes, isto é, os discípulos. Depois, uma certa continuidade do tempo - um dia, segundo parece - como que um sair de manhã e voltar à tarde, depois de uma jornada de trabalho.A própria natureza das acções desenvolvidas por Jesus (acção sobre os elementos e curas). Mesmo o espaço não deixa de ter aqui um certo cariz de complementação: um fazer e desfazer caminho, um ir e voltar. Tudo isto estabelece uma cadeia, senão rede, de ligações entre os apontados micro-relatos, uma continuidade narrativa que justifica a inclusão de todos numa sequência narrativa.
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