Quando nos centramos em Lc 2,1-20, deparamo-nos com uma sequência narrativa, de grande importância, que nos fala do nascimento de Jesus. Esta sequência é rica pela descrição acerca do nascimento e todo o contexto em que Jesus estava envolvido. Há uma marca de continuidade nas personagens apresentadas assim como o símbolo da manjedoura, na qual nasceu o menino. Esta palavra manjedoura “fatne” aparece-nos três vezes (numa manjedoura 2,7 / numa manjedoura 2,12 / na manjedoura 2,16) ao longo desta sequência mostrando a grande importância que trás consigo. Este menino que é Rei nasceu numa manjedoura e como nos diz o evangelho em 2, 12 “será para vós um sinal. É este sinal que para os Judeus é sinal de “escândalo”, uma criança que a consideram Rei, envolta em panos e deitada numa manjedoura. Para eles a manjedoura é um lugar impuro onde os animais comem. É de facto um sinal estranho, que trás consigo várias interrogações. Porém Lucas alerta-nos que “ é isto que é o sinal”, alertando para que olhemos para este sinal bem visível. Desta forma utiliza o verbo ver três vezes na terceira vez que nos fala da manjedoura. Se olharmos Is 7,10-14 indica-nos “o Senhor, por sua conta e risco, vos dará um sinal”. É este sinal anunciado no Antigo Testamento, que se irá manifestar no Novo Testamento, revelando o nascimento do Menino na manjedoura.
Porém se olharmos a palavra reparamos que a terceira vez que Lucas nos fala do menino, não fala que esta envolto em panos, pois o sinal mais importante e que interessa é a manjedoura. É de facto um sinal amplamente reconhecido e que por sua vez poderá ser reflectido ao longo do evangelho. Tendo Jesus nascido num local impuro, também no futuro irá comer com impuros e pecadores, para mostrar que o Reino de Deus é para todos e não só para alguns. Em Lc 2,11 a formulação que nos aparece é uma estranha, pois nos liga com o que aparece a citação de Isaías. “É o Senhor quem fala”. A manjedoura é um símbolo paradoxal e ao mesmo tempo símbolo teológico. Ela mostra o paradoxo da identidade de Jesus, como uma atitude de denúncia. É a denúncia do não reconhecimento, pois queles animais reconhecem o que os Judeus não reconhecem.
Se olharmos ao Antigo testamento, este estar envolto em panos, esta presente. Quando é mencionado o Rei Salomão em Sab 7,1-5, diz-nos a Sagrada Escritura que o Criaram “com mimos entre cueiros”, por isso dessa forma veio à terra como Rei.
De facto notamos que Lucas dá uma grande importância a manjedoura nesta sequência para mostrar, que Jesus sendo Rei, desde o início demarca-se pela sua pobreza nascendo numa manjedoura.
Ainda debruçando-nos sobre o grande sinal que é a manjedoura podemos apontar quatro aspectos, que nos levam a compreender melhor a simbologia de Lucas e além disso o próprio percurso de Jesus.
Um primeiro aspecto é que poderíamos fazer correspondência entre a manjedoura e o sepulcro vazio, ou seja olhando atentamente para a manjedoura os panos. Estes mostram sinais equivalentes no princípio e fim da narrativa. Um segundo aspecto podemos associar a Impureza, pois no anúncio da Boa Nova Jesus come e bebe com os pecadores, ou seja come e bebe com impuros. Este é de facto o grande problema. Os pastores que vêm até Jesus são impuros (estão na rua); porque é para os impuros que Ele vem. Um terceiro elemento poderia considerar-se um Midrash de Gen 3,18, onde o homem se alimenta à maneira dos animais. Logo é deitado no lugar onde o homem é homem. Deste modo poderíamos associar esta sequência a um relato sobre a criação. Por fim um quatro elemento poderíamos associar um elo mais forte desta narrativa com Is 1,2-3, onde nos é relatado que “o boi conhece o seu dono e o jumento o manjedoura /estábulo do seu senhor, mas Israel… nada entende”.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.