sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Jesus e as parábolas do Reino

Tanto o Antigo como o Novo Testamento se servem de formas literárias que têm a ver com o figurativo e não propriamente com a ordem conceptual. A literatura bíblica é estruturalmente imagética e figurativa e por isso mesmo usa muitas formas literárias: o mito, a saga, o romance, a hipérbole, a metáfora, a alegoria, a parábola, etc…
Na sua pregação sobre a soberania de Deus, Jesus anunciou o Reino e falou dele utilizando as parábolas. O Filho da Galileia “revestiu os seus pensamentos com as vestes da terra natal e conduziu com mão segura os seus fiéis do conhecido para o desconhecido, do mundo dos sentidos para o Reino dos Céus”1. Na verdade, na medida em que as parábolas apresentam aquilo que é conhecido, mesmo o quotidiano, colocam diante dos nossos olhos a vida das pessoas simples daquele tempo. A história cheia de vida que cativa o ouvinte, a imagem que continua a fascinar o leitor que a ela se abre, mas que se transcende a si própria, apontando para a soberania de Deus, permite que esta seja compreensível e que a sua presença seja sentida.

1- Joachim GNILKA, Jesus de Nazaré. Mensagem e história, Lisboa, Editorial Presença, 1999, p. 86.

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