domingo, 20 de dezembro de 2009

Jogo de focalizações no relato de Mt 9, 18-22

18Enquanto Jesus lhes dizia estas coisas, aproximou-se um chefe que se prostrou diante dele e disse: «Minha filha acaba de morrer, mas vem impor-lhe a tua mão e viverá.» 19Jesus, levantando-se, seguiu-o com os discípulos. 20Então, uma mulher, que padecia de uma hemorragia há doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe na orla do manto, 21pois pensava consigo: ‘Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada.’ 22Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse-lhe: «Filha, tem confiança, a tua fé te salvou.» E, naquele mesmo instante, a mulher ficou curada. 23Quando chegou a casa do chefe, vendo os flautistas e a multidão em grande alarido, disse: 24«Retirai-vos, porque a menina não está morta: dorme.» Mas riam-se dele. 25Retirada a multidão, Jesus entrou, tomou a mão da menina e ela ergueu-se. 26A notícia espalhou-se logo por toda aquela terra.

Nesta sequência narrativa encontramos Jesus, os discípulos e mulher com hemorragia.
Se olharmos atentamente para o texto notamos desde logo que Jesus e os discípulos demarcam-se por uma focalização externa. Esta deve-se ao papel do leitor como espectador da acção que está a decorrer “Jesus, levantando-se, seguiu-o com os discípulos”.
Em relação à mulher que sofre de uma hemorragia nota-se uma focalização interna porque conhecemos o que se passa no íntimo desta mulher, «pois pensava consigo: 'Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada.»
Ainda em relação à mulher com a hemorragia é possível encontrar uma focalização de grau zero. A nós é dada a informação de que a mulher padece de uma hemorragia já há doze anos. Deste modo se a informação não fosse aqui focada pelo narrador nós não saberíamos o tempo que esta mulher já estava a sofrer.

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