segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Leitura de S.Lucas – Algumas notas

De um relato tão sonoro, rápido e saltante de Marcos, pela mais aberta e humana face de Deus em Mateus chegamos agora a Lucas.
A primeira conclusão vai em contradição com um dos posts que coloquei anteriormente. Afinal Mateus não é o maior escrito do NT, afinal é a “obra lucana”. Mais de ¼ do NT é preenchido pelos dois livros que formam a obra lucana (Evangelho de S. Lucas e Actos dos Apóstolos).
Entrando no texto um bocadinho, eu fique logo espantado pela forma “arrumada” como este Evangelho começa. Até encontramos uma dedicatória, que já em si é enigmática: Teófilo, será o seu patrocinador – um chefe romano pelo título de caríssimo?; será o leitor, “amante de Deus” (Teófilo)?. Também por esta intrudoção compreendemos que “o” hagiógrafo não procura que a sequência textual seja teológica ou cronológica (não abdicando delas claro), mas “só e apenas” lógica. Assim, parece querer mostrar da sua honestidade e fidelidade.
De repente muda a “music track ” (pista/facha de música) e começa o seu relato nos tempos pré Jesus com o anúncio do nascimento de João baptista. Parece que Lucas está colocar Jesus no seguimento da “história da salvação” – não é Ele que a começa, embora seja Ele que a recomece. Ainda o enquadramento parece ser pobre e humilde pelas figuras que nos são apresentadas… Ainda os cenários são tão pobres (o nascimento de Jesus, era difícil imaginar um contexto mais pobre, e quem vem visitar O MENINO, “pastores”?).
Seguindo os apontamentos, pareceu-me um evangelho cheio de alegria e louvor a Deus, vejam-se os cânticos de Maria e de Simeão – são hinos de completa e profunda revolução social.
Pareceu-me, também que é um Evangelho que procura identificar-se com as duas culturas perante as quais surge: hebraica e greco-romana. Porém, é uma identificação parcial pois oferece uma terceira via… Jesus.
Aliás o Jesus Lucano é Aquele que destrói esquemas e que deixa os seus interlocutores envolvidos pelo mistério. É um Jesus que não se contenta com uma ética de mínimos, mas que pede uma ética de máximos – aquela que se forma bem dentro dos nossos corações.

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