quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Evangelho segundo São Mateus (Filme)

A obra cinematográfica do Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini é de facto uma obra com um grande mérito e qualidade. O autor é muito cuidadoso quando apresenta as personagens ao longo da peça e além disso é muito fiel a Sagrada Escritura.
Apesar de ser uma obra com alguns anos, não perde de facto o seu mérito, valor e qualidade, tal como o Evangelho de Mateus que hoje temos entre mãos. De facto é espantoso a forma como o autor nos prende o olhar, ao longo da história que vai contando, usando as personagens em determinados locais e planos, que nos fazem clarificar as imagens que nós construímos quando apenas lemos o Evangelho. O Evangelho é contado quase ao pormenor, onde o autor nos lava a seguir os passos de Jesus, desde o seu nascimento, a sua vida de missão com os discípulos que Ele próprio escolheu e a sua morte na Cruz.
A imagem que nos capta grande atenção é de facto Jesus, pois é-lhe dado uma centralidade no plano de toda a acção da obra. É um Jesus inquieto, que está sempre a caminhar de um lado para outro e que faz-se acompanhar dos seus discípulos. Uma das imagens curiosas é quando Jesus transmite os seus ensinamentos aos seus discípulos. Apenas Ele aparece como pano de fundo, durante algum tempo. Isto de facto mostra-nos que é Ele que tem o poder da palavra.
Podemos ainda contemplar nesta obra de Pasolini a constatação de que o evangelho de Mateus é um evangelho de fazer discípulos. Ele apresenta-nos o chamamento dos discípulos e foca nome a nome mostrando as suas caras. Rostos diferentes, sendo a primeira vista uns mais alegres que outros. Eles aparecem sempre com um olhar atento e quase intacto quando Jesus lhes dirige a palavra. São de facto cenas muito elaboradas que nos fazem reflectir e ao mesmo recordar as imagens que muitas vezes construímos por nós próprios acerca de cada discípulo, muitas das vezes atropelados por uma leitura imatura.
De facto aqui temos a oportunidade de deslumbrar o nosso olhar e ver as imagens, que nos provocam com as palavras. O autor quase que nos faz entrar na peça e ao mesmo tempo sermos um figurante, pois o nosso olhar não repousa. Queremos sempre mais, seguir os paços de Jesus, mas não conseguimos acompanha-lo até ao fim, pois ele não tem limite e isso vemos quando o filme acaba e Ele começa tudo de novo. Jesus encontra-se depois da sua ressurreição de novo em Jerusalém onde diz aos seus discípulos: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»

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