sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Uma leitura breve do Evangelho de S. Mateus

Evangelho de São Mateus

Quando lemos o Evangelho de Mateus, apercebemo-nos que o autor apresenta um estilo diferente dos outros evangelhos. Mateus é um teólogo que faz uma síntese da mensagem vivida na sua comunidade e proclama essa mensagem a própria comunidade. O seu estilo e processo de composição é de influência semítica pelas expressões utilizadas ao longo do Evangelho, tais como: “a lei e os profetas”; “Reino dos Céus”; “Meu Pai que está nos Céus”; “cumprir a lei”. Este semitismo que nós encontramos deve-se as fontes do Evangelho, na qual o autor permaneceu fiel, a linguagem primitiva que encontro. Na própria composição do texto encontramos repetições, refrães, e inclusões com a finalidade de retomar o inicio de um discurso, que desde logo podemos confirmar em (Mt 5,3 e 10), quando nos diz: “porque deles é o reino dos céus”. Percebemos que é um Evangelho de uma moral, e de uma grande ética, que nos coloca perante uma exigência, tudo isso contido na grande proposta de Jesus.
Um aspecto importante que é apresentado é a Genealogia, que somente encontramos neste Evangelho e em Lucas, contudo apresentando diferenças. Em Mateus começamos com Abraão e Lucas começa com José, assim como em Mateus temos uma relação de Jesus com Israel em Lucas temos um Jesus mais direccionado para o povo. Desta feita temos apenas duas coisas iguais em Mateus e Lucas, que são: Jesus nasceu em Belém e Jesus que nasceu de uma virgem,
de resto dentro dos evangelhos da infância, tudo é diferente. O Evangelho da infância é uma meditação desnsamente teológica que antecede os títulos de Jesus.
Outro aspecto importante é que Evangelho de Mateus é sempre Deus através do Anjo que diz a José. No Sonho o Anjo diz “José, Filho de David”, pois neste Evangelho é sempre da descendência de David, porque os destinatários são os judeus. Por isso Jesus é da descendência de David.
Deste modo podemos dizer que o Evangelho da infância de Mateus é a realização das profecias. Todo o relato dá-nos um Messias total, pois vem de uma Virgem, vem de Belém, é um consagrado, vem da raiz de Jessé. Tudo isto para significar que Jesus tem em si tudo o que é anunciado no Novo Testamento.

A geografia que o Evangelho nos apresenta tem um carácter teológico, pois pretende desde logo nos dizer algo sobre Jesus. A própria terra de Jesus é muitas vezes associada à Galileia dos pagãos, algo que a primeira vista nos parece contraditório. Porém chama a atenção para uma esperança escatológica, que já esta presente no Antigo Testamento, em (Isaías 8, 23), que nos anunciou, que seria na Galileia que Deus se manifestaria aos pagãos. De certa forma também nos parece contraditório quando vemos Jesus comer com os pagãos.
A sua permanência na Galileia é algo que nos chama a atenção no Evangelho de Mateus, pois encontramos apenas Jesus a deslocar-se duas vezes: uma para ir receber o baptismo de João Baptista e a outra quando vai a caminho de Jerusalém, onde sofrerá a sua morte e paixão. Também notamos ainda que Mateus é o único evangelista que situa a manifestação do ressuscitado na Galileia. Deste modo podemos associar a figura de Jesus a Moisés, sem esquecer que Jesus é superior a Moisés, porque este morreu no deserto sem conhecer a terra. Se olharmos à figura de Jesus, este atravessou o deserto da morte e terminado o seu cativeiro vai regressar à sua terra, à Galileia, onde vai conceber aos onze discípulos uma missão “ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…” (Mt 28,19). Deste modo, Mateus reconhece em Jesus o novo Moisés (por isso o primeiro discurso é feito no monte) e procura fazer sentir que Ele traz consigo um mistério, muito maior que o leitor possa imaginar.
O tema do discipulado no Evangelho de Mateus é constante, onde encontramos o verbo com um sentido imperativo a indicar “fazei discípulos”(Mt 13,52; Mt 28,18). Se olharmos o Evangelho de Lucas, o mandato final é diferente do de Mateus, pois Jesus manda permanecer na cidade.
Porém encontramos a perícope principal em Mt 28, 16-20, que nos faz tocar no cerne, porque foi na Galileia que Jesus anunciou o Reino e as bem-aventuranças. Encontramos agora no monte a voz do Senhor ressuscitado e glorioso.

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